Briga entre Quaquá e Lindbergh escancara racha no PT do Rio

O clima esquentou no PT do Rio de Janeiro. O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do partido, Washington Quaquá, e o deputado federal Lindbergh Farias, líder do governo na Câmara, trocaram acusações pesadas nas redes sociais e deixaram à mostra a crise interna que se arrasta há meses dentro da sigla.

Tudo começou quando Quaquá acusou Lindbergh, André Ceciliano e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, de usarem cargos no governo federal para “fazer política própria”, sem citar o presidente Lula em eventos públicos. Ele criticou especialmente uma cerimônia em Casimiro de Abreu, onde os aliados discursaram ao lado do prefeito Ramon Gidalte (PL).

Em tom duro, Quaquá disse que o grupo “usa a máquina federal só pra eles” e cobrou que Gleisi pare de “fazer política particular” com a estrutura do governo.

A resposta de Lindbergh veio rápido e com ofensas. O deputado chamou Quaquá de “baixo nível”, “desprezível” e disse que ele “tem cheiro de esgoto”. Defendeu Gleisi e Ceciliano, afirmando que as obras citadas por Quaquá foram incluídas no PAC antes de ela assumir o ministério.

Lindbergh também acusou Quaquá de ter se afastado das posições históricas do PT, lembrando que o prefeito já defendeu anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e apoiou a PEC da Blindagem.

Nos bastidores, a briga tem nome: a disputa pela vaga do PT ao Senado nas eleições de 2026. De um lado, Lindbergh, Ceciliano e Gleisi apoiam a candidatura da deputada Benedita da Silva, que conta também com o apoio da ministra Anielle Franco e de Marcelo Freixo, presidente da Embratur. Do outro, Quaquá tenta emplacar o sambista Neguinho da Beija-Flor, que ele pretende filiar ao partido.

O prefeito de Maricá, aliado de Eduardo Paes, chegou a propor o nome de Fabiano Horta como vice em uma eventual chapa do prefeito do Rio, mas não teve sucesso e passou a apostar em Neguinho como opção popular para o Senado.

A confusão aumentou quando Neguinho ligou para Benedita declarando apoio à sua pré-candidatura, desmentindo publicamente Quaquá. “Ele me disse que a candidata dele sou eu”, contou a deputada.

Também citado, Ceciliano reagiu às críticas. Disse sempre mencionar Lula em seus discursos e chamou de “machista” a tentativa de desmerecer Gleisi Hoffmann. “É até engraçado o prefeito de Maricá falar em uso da máquina pública, com o histórico que tem”, ironizou.

O grupo de Quaquá ainda controla o diretório estadual do PT, presidido por seu filho Diego Zeidan, atual secretário de Habitação do Rio. O prefeito também acumula polêmicas: recentemente, trocou farpas com Anielle Franco e chegou a ser denunciado à Comissão de Ética do partido.

No Planalto, o clima é de preocupação. A disputa no PT fluminense ameaça o projeto nacional de Lula para 2026 e o alinhamento com Eduardo Paes, peça importante na tentativa de o governo ampliar sua força política no Rio de Janeiro.

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